INMET instala várias estações meteorológicas no sudoeste

30 05 2008

Amanhã, dia 31 de maio, começará a funcionar mais uma estação do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET no Sudoeste do Paraná. A quarta estação meteorológica da região será instalada no município de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, que faz divisa com o município de Barracão, no Paraná. Como o clima não é influenciado por limites políticos e as duas cidades são na prática uma só, podemos considerar esta a quarta estação meteorológica do Sudoeste em apenas 18 meses. A primeira, inaugurada em Março do Ano passado, está localizada em Dois Vizinhos, cerca de 30 km ao norte da cidade de Francisco Beltrão. A segunda foi instalada em Capanema no final do ano passado, e fica a 80 km de Francisco Beltrão, na direção noroeste. A terceira estação, situada em Clevelândia, foi aberta há apenas 15 dias, e está situada a 75 km de Francisco Beltrão, na direção sudeste. Enfim, esta estação de Barracão/Dionísio Cerqueira está a apenas 60 km de Beltrão, na direção sudoeste.

Para uma região que até hoje contava apenas com estações automáticas em Pato Branco e Palmas, operadas pelo SIMEPAR, que não informa continuamente as condições do tempo ao público em geral, estas novas estações são um avanço e tanto. Existem também estações do IAPAR, que também oferecem poucas informações ao público em geral. Até pouco atrás quem quisesse saber a temperatura em algum município do sudoeste não dispunha de outra alternativa senão comprar um termômetro e instalar no próprio quintal, ou ouvir as imprecisas informações divulgadas pelas rádios do município.Estações no sudoeste

Agora apenas acessando a página do INMET podem ser obtidas diversas informações, que são atualizadas de hora em hora. E ainda existem possibilidades de serem instaladas mais estações na região. O INMET continua abrindo estações pelo Brasil, buscando alcançar a meta de uma estação a no máximo 50 km da outra, pelo menos nas regiões mais habitadas. Olhando assim, no sudoeste ainda cabem mais uma estação entre Francisco Beltrão e Pato Branco, e outra próxima a cidade de Manguerinha. Mesmo que estas não venham tão cedo, a situação da região já é muito melhor que no passado.

Para acessar o mapa de estações, visite o site do INMET. O endereço é: http://www.inmet.gov.br/sonabra/maps/automaticas.php e depois basta clicar em cima do nome da estação no lado direito, ou aproximar o mapa até o sudoeste do Paraná e clicar diretamente em cima da bolinha.

Dentre as estações disponíveis no sudoeste a que mais se aproxima das médias de temperatura de F. Beltrão é a de Dois Vizinhos, que tem temperaturas cerca de 1°C sempre maiores, devido a menor altitude da estação em relação ao município.





Emprego formal no sudoeste cresce abaixo da média estadual em Abril

20 05 2008

O Ministério do Trabalho divulgou ontem os dados do emprego formal no país referentes ao mês de Abril. Em todo o país foram abertas 294 mil novas vagas, muito próximo do recorde anterior que era de 301 mil novas vagas em um único mês. O estado do Paraná também apresentou um bom desempenho no mês passado, sendo que foram abertas 26 mil novas vagas no estado, elevando em 1,31% o número de empregos formais em relação ao mês anterior.

No sudoeste também houve expansão do estoque de empregos formais, todavia com menor intensidade do que observado no resto do estado. Em Francisco Beltrão foram abertas 120 vagas, com alta de 0,7% em relação ao estoque do mês anterior e em Pato Branco foram 190 novas vagas, com elevação de 1,2% sobre o estoque do mês anterior.

Em Francisco Beltrão os setores que mais abriram vagas foram o comércio (52 vagas, +1,2%), a construção civil (32 vagas, +3,98%) e a indústria (31 vagas, +0,46%). O dado que mais chama a atenção é justamente a Construção Civil, pois esta em apenas quatro meses já acumula elevação de quase 22% no número de vagas em relação a dezembro passado, demonstrando que não só o ritmo de construções continua bastante forte como também a formalização avança neste setor que é um dos mais informais do mercado.





Beltrão supera a marca de 32 mil veículos

13 05 2008

No mês de Abril o município de Francisco Beltrão superou a marca de 32 mil veículos. Agora, de acordo com os dados do DETRAN, o município conta com 32.091 veículos, sendo 17.711 carros, 7.147 motos e motonetas e o restante dividido entre caminhões, caminhonetes, ônibus, etc.

No ano a frota municipal apresenta expansão de 2,63%, puxada principalmente pelas motos e motonetas (+4,8%) e pelas caminhonetes (+6,2%). A classe “Automóveis” apresenta expansão de 2,2% no ano, e 0,54% no mês.

Com uma frota em crescimento acelerado crescem também os repasses de IPVA do governo estadual para o município. Em Abril foram repassados para o município R$ 416.267,13 contra R$ 234.744,16 no mesmo mês do ano passado, segundo informações da SEFA/PR.





Os impactos do CDR em Francisco Beltrão

8 05 2008

Como vocês puderam acompanhar pela imprensa regional nos últimos dias, ontem foi inaugurado o Centro de Detenção e Ressocialização de Francisco Beltrão, que entre os beltronenses ficou mais conhecido mesmo pelo nome provisório, Casa de Custódia. Um colosso de 10 mil m² e resultado de R$ 13 milhões de investimentos do estado, certamente um investimento estatal ímpar na história do sudoeste.

A princípio houve certa polêmica envolvendo a vinda desta instituição para o município, pois ao mesmo tempo que os benefícios econômicos são grandes, poderiam (e ainda podem) ocorrer efeitos colaterais, indesejados. No debate acabou prevalecendo a idéia de que era positiva a vinda e assim concretizou-se a instalação.

Mas, efetivamente, quais são os benefícios e os malefícios da vinda de um presídio deste porte, com capacidade para quase mil detentos, para o município e por extensão para o sudoeste?

Nas próximas linhas tentei sintetizar os principais efeitos da vinda desta instituição para a cidade.

Sem dúvidas o principal impacto será econômico. Segundo informações divulgadas pela Assessoria do Governo Estadual, trabalharão no CDR 180 agentes penitenciários e mais 32 funcionários em outras áreas, onde incluem-se administradores, psicólogos, dentistas, etc. Além disso, deverá ser aumentado o efetivo da Polícia Militar, que faz a segurança externa do presídio, com a possibilidade até da instalação de um Batalhão da PM em Francisco Beltrão (que hoje está subordinado ao 3° BPM de Pato Branco) e também deverá ser instalada uma Vara de Execuções Penais, com a contratação de um Juíz além de mais dois auxiliares.

O Salário de um Agente Penitenciário é relativamente elevado no Paraná, cerca de 2400 reais iniciais. O Salário dos auxiliares do CDR devem ser mais elevados ainda, devido aos cargos serem mais exigentes em conhecimentos técnicos. O salário de um Juiz é bastante elevado também, não sei especificamente na VEP, mas em geral situa-se entre 15 e 20 mil reais ao mês. O salário de um PM no Paraná, segundo consultei rapidamente na internet, fica em cerca de 1500 reais mensais. Somando todo o bolo do já certo (CDR + VEP), temos algo em torno de 550 mil reais. São 550 mil reais a mais por mês que Beltrão terá na sua Massa Salarial Formal (soma do salário de todos os beltronenses, conforme anotado na CTPS, abreviarei como MSF daqui em diante). Atualmente, conforme dados da RAIS de 2006 e do CAGED de Dezembro de 2007, a MSF de Beltrão era pouca coisa a mais de 14,1 milhões de reais. Ou seja, somando os salários de todos os beltronenses, conforme indicado nas respectivas Carteiras de Trabalho, teríamos este valor, a ser pago mensalmente. Com a vinda do CDR adicionamos os 550 mil reais do nosso cálculo anterior e o valor automaticamente passa para 14,7 milhões de MSF. Um acréscimo de 4,3%. E de uma só vez. Mas estes são só os benefícios diretos, e até aqui já confirmados. Se considerarmos os desdobramentos que este dinheiro tem na economia, podemos seguramente assumir que outros tantos empregos serão gerados em novas lojas, serviços, etc.

Existem ainda os gastos de manutenção do CDR. Algumas empresas terceirizadas realizarão trabalhos de manutenção, reparos, fornecimento de comida, etc ao presídio, gerando ainda mais empregos para a cidade. De fato o governo estadual admite que serão gastos cerca de 1 milhão ao mês para manter a instituição. No total o impacto no PIB deverá ser bastante positivo. Em 2005 o PIB de beltrão foi de 690 milhões a valores de hoje. O CDR gerando um impacto mensal direto de cerca de 1 milhão, responderia assim por 2% do PIB anual do município. Mas considerando também os efeitos indiretos, podemos estimar que o PIB municipal aumente este ano entre 3 e 5 p.p. somente em função do presídio, um crescimento muito significativo.

Já do ponto de vista demográfico podemos esperar um acréscimo significativo à população da cidade neste ano. Anteriormente já comentei que a cidade em si vinha crescendo na casa do 1.4% a.a., pouco mais, pouco menos. Com a vinda do CDR, somente os funcionários (que são em sua maioria de fora) deverão acrescer, devidamente acompanhados de família, mais alguns 400 habitantes ao município, ou 0,6% da população urbana. Assim podemos esperar este ano um crescimento próximo a 2% da nossa cidade, inflando um ainda um pouco mais os preços do já inflacionado mercado imobiliário local. Isto ainda sem considerar familiares dos presidiários.

E assim a cidade vai se consolidar mais um pouco, novos serviços certamente surgirão e beltrão ficará uma cidade um pouco maior e melhor…

A menos que os efeitos negativos da vinda do CDR não sejam controlados. Quais efeitos? Basicamente dois. O primeiro e mais óbvio é a vinda das famílias de detentos para o município, efeito bastante comum em cidades onde presídios são instalados. O presídio tem capacidade nominal para 960 detentos. Se cada detento trouxer consigo uma família de 2 pessoas (uns trarão oito, enquanto outros virão sozinhos) teríamos um acréscimo de 2 mil pessoas. A título de comparação, um bairro como o Vila Nova tem cerca de 3 mil habitantes. Geralmente famílias pobres que trazem consigo um problema social, que podem sobrecarregar as escolas, os postos de saúde e a estrutura da cidade em si. Este é um efeito que deverá ser acompanhado muito de perto pelo poder municipal, para evitar abusos, afinal um hipotético acréscimo de 2 mil habitantes é bastante considerável em uma cidade do nosso porte. É direito dos familiares morarem na mesma cidade do detento? Sem dúvida, o Brasil é um país livre. Mas é necessário também evitar abusos das lei. Em Curitiba, conforme o próprio governador observou ontem na cerimônia, uma favela foi criada ao redor da penitenciária de Piraquara. Favelas são geralmente invasões de propriedades, públicas ou privadas, que não demoram tudo para se tornarem problemas sociais de difícil resolução. Impedindo a criação deste tipo de estrutura urbana, não teremos algum dia de ter que arcar com os altos custos de resolução deste problema, por isto qualquer atitude que viole a lei neste sentido deverá ser prontamente reprimida pelo prefeitura. Em beltrão, se tudo correr conforme prega o Governo, este efeito deve acontecer em uma escala um pouco menor que em outras regiões devido ao caráter regional do presídio. Mas se presos de outras regiões forem para cá transferidos, certamente alguns familiares virão.

O segundo efeito que eu apontaria aconteceu particularmente em Catanduvas, onde o Presídio Federal foi instalado. A cidade ficou tomada por funcionários do crime organizado inflitrados como moradores, somente pela simples presença de seus chefes no presídio. Isto dificilmente você ouviu falar em alguma mídia. Ma nas ruas, da noite pro dia, carros de luxo e tipos estranhos surgiram do nada e passaram a circular pela cidade. Nossos detentos em geral, não são particularmente desta classe, do crime organizado. Mas entre quase mil presos certamente haverão alguns associados a este tipo de esquema criminoso.

Existe também outro possível efeito, ainda bastante incerto. Teremos efetivamente uma penitenciária segura, limpa e funcional, ou em 10 anos teremos um Carandiru superlotado tomado das piores condições de trabalho imagináveis, correndo eterno risco de rebeliões e fugas? Uma cadeia em ordem é boa. Uma cadeia superlotada é um problema.

Presídios quando são novos, são novos. Porém existe uma tendência no sistema prisional brasileiro de com o tempo a situação se degradar a ponto de uma solução se tornar um grande problema. E sem solução.

Alguns ainda citarão outros benefícios e malefícios da vinda do CDR, como a melhoria das condições das cadeias, aumento da segurança pública, maior atenção do governo, etc. Preferi me concentrar naqueles que penso serem os mais impactantes, pelo menos no momento.

Se tudo correr bem, o CDR deverá ser bastante favorável ao município, devendo de modo geral melhorar as condições econômicas e sociais do município. Será mais um impulso para o desenvolvimento do município e da região. Isto, é claro, se o governo continuar a investir na área de segurança pública, e não deixar o sistema se sucatear como tem ocorrido até hoje.