PIB do sudoeste cai 6% em 2006; em Beltrão cresce 3,2%

18 12 2008

Nesta semana foram divulgados os dados referentes ao PIB (Produto Interno Bruto) dos municípios do Brasil, para o ano de 2006. Embora tais dados pareçam ser um tanto velhos, é importanta salientar que a divulgação do PIB dos municípios, ao contrário do PIB nacional, sempre ocorre aproximadamente dois anos após o fim do ano de referência. Portanto somente agora é que podemos conhecer como se comportou a economia beltronense (e do sudoeste também) em 2006.

Pessoalmente acredito que o Produto interno Bruto seja um dos dados mais importantes divulgados pelo IBGE. Provavelmente só os dados da população sejam mais importantes. A função do PIB é sintetizar em um único indicador toda a produção de riquezas de um determinado local ao longo de um determinado período de tempo.

FRANCISCO BELTRÃO

Dentre as maiores economias da região, Francisco Beltrão foi a única que conseguiu crescer acima da média estadual de 2%. Em 2006 o PIB a preços correntes de Francisco Beltrão totalizou R$ 760,3 milhões ante R$ 695,6 no ano anterior. Tal incremento representou uma variação real de 3,2%, a 11° maior dentre os 42 municípios da região. A nível estadual, Beltrão firmou-se como a 22° maior economia, mesma posição do ano anterior. A taxa de 3,2% foi relativamente positiva para a economia do município, se comparada as obtidas pelas trinta maiores economias municipais do estado. Destas, 14 obtiveram resultados melhores que os do nosso município. Outras 15, incluídas aí Curitiba, Londrina, Guarapuava, Pato Branco, Toledo, etc, tiveram resultados piores. A média estadual foi de apenas 2%.

Em termos de participação, Francisco Beltrão contribuiu com 0,5562% da economia do estado, ante 0,5491% no ano anterior.

Dissecando-se os números por setores, o PIB agropecuário caiu 3,95%, o PIB industrial subiu 1,51% e o PIB terciário (comércio e serviços) subiu 5,5%. A participação dos setores ficou a seguinte: Agricultura 7,6%; Indústria 32,0% e Comércio e Serviços 60,4%. Em 2002 as proporções eram, respectivamente, 9,7%, 29,0% e 62,3%.

O PIB per capita (a preços correntes) foi de R$ 10.639.

SUDOESTE

O resultado para o Sudoeste, como um todo, foi péssimo. Na região o PIB caiu 6,04% entre 2005 e 2006. O resultado mais crítico foi na microrregião de Palmas, com queda média de 22,5%. A microrregião de Beltrão foi a que melhor se saiu, com crescimento médio de 2%. No geral ainda pode-se atribuir o péssimo desempenho do ano aos problemas decorrentes das secas. Quase todos os resultados foram pouco expressivos. Abaixo encontra-se uma tabela com os pibs a preços correntes entre 2002 e 2006, e no final a direita a variação real entre 2005 e 2006 e a média anual entre os anos de 2002 e 2006. Resultados em azul indicam elevações acima de 5%. Resultados em verde entre 0 e 5%. Vermelho fraco entre -5% e 0% de crescimento e coloração vermelha forte indica queda brusca acima de 5%. Para calcular a inflação entre anos (e assim chegar a taxa de crescimento real) foi utilizado o deflator implícito do PIB nacional, fornecido pelo IPEA e pelo IBGE.

novo-pib

Os destaques na região são os municípios de Ampére e Dois Vizinhos, que vem crecendo a taxas médias superiores a 5% ao ano desde 2002. O pior resultado é o de Mangueirinha, provavelmente em função da existência de uma Usina hidrelétrica no território daquele município, usina a qual deve ter sido severamente afetada durante as secas de 2006, assim não produziu energia (e nem riquezas) e provocou este estrago no resultado do município. Provavelmente tão logo a usina volte ao normal, o PIB do município recuperará o patamar normal.

METODOLOGIA

Primeiramente o de que se trata o PIB. PIB é um acrônimo para Produto Interno Bruto, um estudo internacionalmente difundido, onde é medido a intensidade de produção de riquezas de um determinado local. Dizer por exemplo que o PIB de Francisco Beltrão foi de R$ 760 milhões no ano de 2006, quer dizer que neste ano, somando-se todo a riqueza criada no município de Beltrão, atingiríamos esta quantia.

O PIB serve primariamente para avaliar a condição econômica de uma região, é útil para diversos estudos, bem como para um governo avaliar sua administração, que quanto melhor for, maior será capaz de fazer o PIB de uma região aumentar anualmente. A variação do tamanho do PIB ano a ano ajuda a dimensionar o dinamismo econômico da economia. Um valor bom para uma economia emergente, como a brasileira, seria uma taxa anual de expansão acima de 4%, por exemplo. No geral é interessante comparar com outras regiões, para se ter uma idéia melhor. Por isso o valor de 4% para a economia brasileira pode ser bom se o mundo tiver crescendo 2%, ou se no ano anterior a economia tiver crescido apenas 3%, pois estaria então crescendo mais rápido.

Para iniciar a explanação sobre o desempenho da economia sudoestina ao longo do ano retrasado, gostaria de primeiramente explicar como cheguei aos resultados. A partir dos dados do IBGE e do IPARDES, os quais estão contidos na tabela abaixo, utilizei os números do PIB a preços correntes para obter os resultados para toda a região. Para calcular a variação real foi utilizado o deflator (índice de preço) do PIB nacional, visto que não existe um deflator para cada município.

Para obter os valores de crescimento do PIB ano a ano, foi utilizada a fórmula [[PIB2006 / PIB 2005] – 1 ] x 100] e o resultante seria a variação nominal entre os dois períodos. Para se obter a variação real deduz da variação nominal o deflator, que consiste em um índice de preços que mede a inflação ano a ano. Já a média anual foi calculada geométricamente pela fórmula {[1 + [PIB 2006/PIB 2002 -1 - DEFLATOR[(1+ Deflator 2003) * (1+ Deflator 2004) *(1+ Deflator 2005) *(1+ Deflator 2006) -1 ] ]^1/4}-1, formula que calcula o deflator acumulado entre 03 e 06, toma a diferença entre o crescimento nominal e a inflação do período e extrai a raiz quarta para se obter a taxa anual para cada um dos quatro fins de anos. O resultado é a média geométrica dos quatro anos.

Segundo o IPEA o deflator do ano de 2006 havia sido 6,15%.

Nota: Na seção “Beltrão em Números” você encontra mais dados sobre o PIB de Francisco Beltrão em anos anteriores.

Nota: PIBs calculados pelo sistema de contas nacionais de 2002

Fontes: Deflator Ipeadata.gov.br; Pibs Ipardes (ou IBGE) www.ipardes.gov.br>>>BDE





PIB de Beltrão cresce 3,15% em 2006; Pato desaba -6,9%

16 12 2008

Depois de um 2005 terrível para a economia da região, dados do IBGE divulgados há pouco mais de dez minutos indicam que em 2006 a economia das principais cidades do sudoeste continuaram a crescer abaixo da média nacional de 4,2%. Francisco Beltrão ainda conseguiu um melhor resultado e cresceu 3,15%, contra 1,75% do estado do Paraná.
Já o Produto Interno Bruto de Pato Branco desabou 6,93% neste ano. Em Dois Vizinhos o PIB ficou estagnado, com elevação de 0,01%. A exceção do PIB de Pato Branco, os outros resultados já eram esperados. Deve-se ressaltar, no entando, que dados preliminares indicam forte recuperação da atividade econômica Pato-branquense no ano seguinte, e aceleração da economia beltronense.

Note: A noite estarei disponibilizando uma tabela completíssima com todos os dados do Sudoeste, por municípios e microrregiões.





População ignora crise e frota salta para 34 mil veículos em Novembro

11 12 2008

Ignorando toda a crise mundial, os problemas de crédito, a perda de dinheiro com a quebra da safra, a situação negativa que a Sadia enfrenta – de longe a principal empresa da cidade – e todos os poréns, a frota de veículos de Francisco Beltrão aumentou em 322 unidades no mês de novembro e ficou a pouco mais de uma dezena de veículos de ultrapassar a barreira dos 34 mil veículos registrados no município. Em outubro a frota havia aumentado 212 unidades e no mês anterior, Setembro, haviam sido 262 novos registros.

O número é ainda mais impressionante  ao se utilizar como base de comparação Pato Branco, que vinha tendo aumentos em sua frota muito parecidos aos de Beltrão (também 212 veículos em Outubro e 233 em setembro), lá a frota subiu normais 227 unidades, ou seja, o resultado de FB distoa, e muito, da situação esperada, especialmente no segmento de carros, que vinha subindo na casa dos 0,5 até 0,7% ao mês, e neste mês a frota de carros leves de beltrão subiu quase 1% redondo.

Nas próxima semana deverão sair os resultados do emprego de novembro e do PIB municipal com referência 2006. No caso do emprego o resultado é uma icógnita, ainda mais depois dos resutlados da frota de Novembro. No mês passado o dado indicou uma moderada desaceleração na criação de empregos, neste mês deveremos ter influencias do Natal, que pressionará o dado para cima. Quanto ao PIB o resultado deve ser bem satisfatório, pois 2006 foi um ano bastante positivo para a economia de Francisco Beltrão. Depois de um 2005 com crescimento negativo de 3,5% (puxado principalmente pela agricultura), o 2006 teve boa recuperação e o Valor Adicionado Fiscal do município fechou em positivos (e nominais) 6,9%, indicado crescimento econômico para o período.





Em 2007, natalidade cai e mortalidade se mantém estável em Beltrão

4 12 2008

Seguindo a tendência verificada a nível nacional, as Estatísticas do Registro Civil do ano de 2007, divulgadas pelo IBGE, mostram que no ano passado ocorreram 4,1% menos nascimentos em Francisco Beltrão (tomando como base apenas as mães residentes em FB) do que no ano anterior. Foram registrados no ano passado o nascimento de 1.050 novos beltronenses (nascidos em 2007), ante 1.095 no ano anterior. Estes 1.050 novos cidadãos representam uma taxa de 14,5 nascimentos/mil habitantes no ano passado, taxa que vem caindo sistematicamente há muito tempo. Em 1980, quando a população do município era de 48,7 mil habitantes, esta taxa era de 29,0 nasc/1000 hab. Em 1990 já havia caído para 20,9. Em 2000 foi de 17,3 e agora atinge 14,5. Todavia este não é o menor valor já registado. No biênio 2001-2002 foram registados os dois menores valores da série histórica de nascimentos no município, com pouco menos de 14 nascimentos/mil hab. Desde então a taxa vem se mantendo relativamente estagnada. A queda de 4,1% observada entre os dois anos (2006 e 2007) pode ser atribuída principalmente ao fato de 2006 ter sido um ano com um número de nascimentos um pouco mais elevado que o usual, fortalecendo assim a base de comparação. Um número mais próximo da tendência histórica seria aproximadamente 2% a menos de nascimentos em relação ao ano anterior.

Na microrregião de Beltrão o município teve a segunda maior taxa, somente atrás de Barracão (17,2 n/mil hab). Em Pato Branco a taxa de natalidade ficou em 16,5 n/mil hab, considerando 66 680 habitantes (censo de 2007).

Em Barracão a pesquisa do IBGE aponta que a porcentagem de mães entre 15 e 19 anos (na prática adolescentes) é de 30%, a taxa mais elevada da microrregião. Este parece ser o principal fator por trás desta taxa de nascimentos bem acima da média regional. Já em Francisco Beltrão o percentual de mães entre 15 e 19 anos foi de apenas 17%. Mães entre 20 e 24 anos totalizaram 24%, entre 25 e 29 foram 29% e entre 30 e 34 anos foram 17%. Francisco Beltrão, Dois Vizinhos e São João foram os municípios que apresentaram as maiores taxas de mães acima dos 25 anos de idade, todos acima de 45%.

ÓBITOS

As estatísticas do registro civil também trazem dados sobre os óbitos no município. No ano passado foram registrados 375 óbitos no município de Francisco Beltrão. O número é praticamente o mesmo do ano anterior (373). Isto representa uma taxa de apenas 5,2 casos/mil habitantes. Como a maior parte da população do nosso município ainda é jovem, este é um número bem natural. No entanto com o decorrer dos anos, considerando as taxas de fertilidade decrescentes e com o envelhecimento da população, naturalmente as taxas devem se igualar e eventualmente até mesmo a taxa de óbitos ultrapassar a de nascimentos.

Segundo previu o IBGE em uma pesquisa divulgada na semana passada, este evento, que marcará a estagnação do aumento da população brasileira e início do declínio no número de habitantes, deverá começar a ocorrer em 2039 a nível nacional.

Alguns municípios da região devem enfrentar este problema logo nos próximos anos. Exemplos são três municípios da microrregião de Pato Branco: Bom Sucesso do Sul (natalidade: 5,2 e Mortalidade: 6,9), São João (nat: 8,2 e mort: 7,2) e Vitorino (Nat: 8,9 e Mort: 6,2). Além de enfrentar as altíssimas taxas de migração, comuns a municípios pequenos, estas cidades já estão com taxas de natalidade e mortalidade muito próximas, sendo que em Bom Sucesso a taxa de Mortalidade já até superou a de Natalidade, muito provavelmente por uma grande migração da população mais jovem e a permanência da população mais idosa. Isto causará um declínio cada vez mais acentuado na população destes municípios.

Na nossa região os últimos municípios que deverão enfrentar este fenômeno muito provavelmente serão Francisco Beltrão e Pato Branco. Ambos são as referências regionais e atraem um número maior de imigrantes do que perdem de migrantes todos os anos, o suficiente para manter a população em equilíbrio e crescimento por mais tempo.

Os dados das pesquisas são encontrados nos seguintes nlinks:

ftp://ftp.ibge.gov.br/Registro_Civil/2006/

ftp://ftp.ibge.gov.br/Registro_Civil/2007/