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Verão em Beltrão


O Verão de Francisco Beltrão é certamente um dos piores do Paraná. Talvez só quem more próximo ao Vale do Rio Iguaçu e ao Vale do Rio Paraná sofra mais que nós. Ainda sim para estes há um alívio, o vento. Já em Beltrão nem com o vento se pode contar, a cidade é uma bacia cercada de morros com 100 m de altitude a mais que o núcleo da cidade. Por isto a menos que chova, vento é artigo de luxo nesta cidade.

Oficialmente a maior temperatura já registrada até hoje foi de 38°C, em novembro de 1985. Mas isto é na estação da Sanepar, aquela no alto do morro, onde a altitude é 650 m (100 a mais que o núcleo da cidade) e onde sempre bate um vento. E isso é na grama verde, não no asfalto escuro. Apesar de as máximas médias em Beltrão ficarem na casa dos 30°C para o trimestre novembro-dezembro-janeiro, devemos sempre lembrar que as temperaturas oficiais são registradas em áreas gramadas, com pelo menos 1600 m² (20x20m). No centro das cidades as coisas esquentam um pouco..

Por isso no centro de Beltrão, com todo o concreto e asfalto que tem a temperatura certamente já passou dos 40°C. Hoje mesmo meu carro registrou 37°C na Praça da Matriz. E assim é a sensação todo dia, calor muito acima do que as estatísticas nos fazem crer.
E para agravar o problema a cobertura vegetal da nossa cidade é um tanto esparsa. Algumas ruas cobertas, muitas outras nada cobertas de árvores, as quais em sua maioria estão no interior das quadras, não nas calçadas. Então o sol, que no verão incide quase a pino, penetra dentro do asfalto e ajuda a esquentar a nossa sauna, digo cidade.

As soluções para o excesso de temperatura urbano são quase todas de longo prazo ou de custo considerável. Um planejamento de áreas verdes urbanas, que cubram as ruas (igual Maringá) poderia reduzir imensamente a sensação de calor nas ruas. Outro coisa é tentar utilizar mais concreto ao invés de asfalto. O concreto é mais claro e alívia boa carga do calor. Ou também incentivar as pessoas a pintar o telhado das casas de branco. Mas aí, como eu disse o custo inviabiliza o benefício.

Enquanto as soluções não chegam (e na melhor das hipóteses levarão 10 anos para chegar) o melhor a fazer é se agüentar de todo jeito, e rezar logo para as chuvas virem e para o mês de Abril chegar…

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